Ovo… amigo ou inimigo?

Durante muitos anos os ovos receberam uma conotação negativa pelo seu elevado teor em colesterol. 1 ovo médio contem cerca de 200mg de colesterol, 2/3 da ingestão diária recomendada (300mg). Esta conotação relacionava-se com a descoberta de que elevados níveis de colesterol sanguíneo estão associados a um aumento do risco cardíaco.

 

No entanto, em 2000, a American Heart Association fez uma revisão das guidelines, recomendando para adultos saudáveis a ingestão de 1 ovo por dia, ressaltando que os 300mg de colesterol por dia não devem ser ultrapassados. Esta revisão teve na origem a compreensão de que as gorduras saturados (gorduras maioritariamente de origem animal) têm uma maior influência no aumento do colesterol sanguíneo e de que, diariamente, o fígado produz colesterol, tendo diversos estudos demonstrado que a ingestão de 1 ovo, na grande maioria das pessoas, não influencia o aumento do colesterol sanguíneo, uma vez que, de forma compensatória, o fígado reduz esta produção, equilibrando os níveis em circulação.

 

Propriedades nutricionais

Desta forma, podemos de forma tranquila voltar a tirar partido dos benefícios do consumo de ovo. É um alimento nutricionalmente rico, com baixo teor em gordura saturada e rico em minerais, como o ferro, e vitaminas, como a vitamina A. Um ovo possui apenas 75 kcal mas contém cerca de 7g de proteína de alto valor biológico (proteína de “boa qualidade”, pela presença de aminoácidos em variedade e quantidade). Para além disso, é rico em luteína e zeoxantina, dois antioxidantes cuja ação está relacionada com a proteção da retina contra o envelhecimento, ajudando na prevenção dos processos degenerativos que afetam a visão. A composição em colina, poderá ter impacto na manutenção do desenvolvimento cerebral e da memória, uma vez que esta substância entra no processo de construção das membranas celulares e desempenha funções na produção de moléculas de sinalização ,a nível cerebral.

 

Limitações

Para algumas pessoas continua a ser necessário limitar a ingestão de ovos, sobretudo quando os mecanismos de regulação da produção de colesterol interno (ao nível do fígado) não estão controlados. Pessoas com desordens genéticas, como hipercolesterolémia familiar ou ao nível do gene ApoE4, devem estar atentos aos níveis de colesterol sanguíneo (através de análises regulares) e reduzir o consumo de ovos.

 

Sempre com segurança…

É importante que a utilização dos ovos seja feita de forma segura, pois existe risco de intoxicação por salmonella, uma bactéria que facilmente prolifera se os ovos não forem armazenados no frio (numa prateleira, e não na porta, onde a temperatura permanece mais ou menos constante). O consumidor deve ainda garantir a correta cozedura do ovo (todo o ovo deve estar cozinhado quando consumido). Comer ovos crus ou mal-cozinhados, apenas se tiverem sido submetidos a pasteurização, caso contrário este fantástico alimento pode tornar-se um problema.

 

 

Tell Us What You Think
0Like0Love0Haha0Wow0Sad0Angry

0 Comments

Leave a comment